Vencendo a ansiedade
- Mariana Ayres
- Nov 14, 2022
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“Ser ou não ser - eis a questão. Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz ou pegar em armas contra o mar de angústias - E, combatendo-o dar o fim? Morrer.” - Hamlet (III.I)
É assim que começa o monólogo mais famoso de Hamlet. O príncipe mostra estar claramente perturbado, tendo alguns pensamentos suicidas. Há um consenso entre os estudiosos de Shakespeare, de que Hamlet realmente sofria de transtornos ansiosos e depressivos (Shaw, 92). Obviamente, na época em que foi escrito, depressão e ansiedade não eram termos conhecidos, mas seus sintomas certamente eram. Poderíamos definir ansiedade como: “[...] uma trepidação, uma suspeita, uma apreensão. É um estado melancólico com grandes preocupações.” (Lucado, 10). Uma pesquisa sobre ansiedade em Hamlet diz que ela é demonstrada no personagem principalmente pelas expressões e comportamentos observados, como por exemplo, “Medo, fobia, paranoia, obsessão compulsiva, pânico, temor, terror, horror [...]” (Appelbaum, 2). Alguns dos exemplos mais marcantes são: “Mas eu, idiota inerte, alma de lodo, vivo na Lua, insensível a minha própria causa, e não sei fazer nada [...] Sou então um covarde?” (Hamlet, II.II) e “Oh, se o Todo-Poderoso não tivesse gravado um mandamento contra os que se suicidam.” (Hamlet, I.II). Essa ansiedade agravada pela sede de vingança, causaram sete desnecessárias mortes até o final da peça, incluindo a sua própria. Em uma situação como a de Hamlet, que acabara de perder o pai, via injustiças serem normalizadas e recebia visitas de um espírito malicioso, sentir ansiedade, terror e medo é inevitável. Assim como o personagem, muitos acreditam que além de inevitável, a ansiedade é também incurável. Porém, existem maneiras de não sermos escravizados pela ansiedade. Hamlet tinha o espírito de seu falecido pai que o apontava para matar o alvo, seu tio Cláudio. Porém, nós temos um espírito diferente que nos guia, o Espírito Santo, e um Pai que nunca morre, mas nos aponta para o alvo de conduta que devemos imitar, Jesus Cristo.
O propósito deste artigo é apresentar quatro ferramentas para a cura da ansiedade: celebrar a bondade de Deus, pedir ajuda a Ele, levar os problemas para as suas mãos e meditar em coisas boas.
A princípio, dizer a uma pessoa deprimida para ficar feliz, não é de muita ajuda. Mas é exatamente isso que Filipenses 4:4 nos aconselha a fazer : “Alegrem-se sempre no Senhor!”. Talvez sem uma diretriz ou ensinamento mais direto, isso seja difícil de ser executado, mas outras passagens bíblicas nos mostram como: “Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.” (Salmos 121:1-2). A instrução é clara, olhe para Deus antes de encarar seus problemas, celebre a bondade de Deus antes de se chatear com sua situação.
Se isso for muito além da sua capacidade, peça ajuda a Deus. Filipenses 4 continua no verso 6, “Apresentem seus pedidos a Deus.”. As promessas do Senhor quanto a resposta de orações são sempre concretas e fiéis: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (Mateus 7:7). A oração sempre será uma das maneiras mais eficientes de encontrar não apenas a cura e transformação de ser, mas também conforto, acalento, alívio e tantas outras bênçãos que nosso criador tão graciosamente tem o prazer de nos dar.
Outro benefício da oração é levar todos os seus problemas diretamente para as mãos do Senhor. Um dos conselhos dados por Deus para a cura da ansiedade é ter gratidão: “Com ação de graças [...]” (Filipenses 4:6). Ele nos diz para sermos gratos pois a gratidão nos mantém presos no presente, nos faz agradecer sem ressentir o passado e a se acalmar quanto ao futuro. Devemos renunciar ao cargo de soberanos do universo que ocupamos na nossa mente, e deixar o verdadeiro soberano tomar conta de nossa situação.
Por último, temos que aprender a meditar em coisas boas, como nos ensina Filipenses 4:8, “Se houver algo digno de louvor, pensem nessas coisas.”. É confortante compreender que, mais frequentemente do que não, nós não conseguimos controlar as circunstâncias da situação onde estamos inseridos, mas podemos sempre controlar o que pensamos sobre elas.
Hamlet poderia ter seguido esses passos. Poderia ter celebrado a bondade de Deus, que é conhecidamente misericordioso com os que passam pelo luto. Poderia ter pedido ajuda para o Senhor tirar de seu coração todo o ódio e sede de vingança, além de o livrar do espírito malicioso. O príncipe poderia ainda ter levado seus problemas para as mãos de Deus, entendendo que ele nada poderia fazer para trazer juízo sobre os injustos, mas que um dia o Senhor o faria. Ele e Ofélia estavam apaixonados, sua mãe estava viva, e ele ainda seria o herdeiro do trono, Hamlet poderia ter meditado nessas coisas boas invés de alimentar o rancor.
Portanto, apesar da ansiedade ser, em muitas circunstâncias, inevitável, não devemos ser escravos dela, pois a cura está em celebrar a bondade de Deus, pedir ajuda a Ele, levar os problemas para as suas mãos e meditar em coisas boas. É importante que todos os cristãos entendam que são suscetíveis a viverem ansiosos, e podem até mesmo já estar vivendo assim, mas a cura e alívio de tudo isso é acessível a nós. "Você pode imaginar uma vida sem andar ansioso por coisa alguma? Deus pode. E, com a ajuda dele, você irá experimentá-la.” (Lucado, 141).
Referências
Appelbaum, Robert. "Shakespeare and the Concepts of Fear". Actes des congrès de la Société française Shakespeare, n.º 36, jan 2018, https://doi.org/10.4000/shakespeare.4006.
Shaw, A. B. "Depressive illness delayed Hamlet's revenge". Medical Humanities, vol. 28, n.º 2, dez 2002, pp. 92–96, https://doi.org/10.1136/mh.28.2.92.
Lucado, Max. Anxious for Nothing: Finding Calm in a Chaotic World. Thomas Nelson Publishers, 2017.
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