top of page

Não falamos de Encanto

  • Writer: Mariana Ayres
    Mariana Ayres
  • Dec 28, 2021
  • 4 min read

Admito que não participei de toda a antecipação de um novo filme da Disney. Na verdade, eu nem ao menos sabia que iria ter um novo filme até algumas semanas antes da primeira divulgação. Mas no momento que fiquei sabendo que Lin Manuel Miranda seria responsável pelas músicas, me animei instantaneamente.


Tinha me decepcionado meses antes com o, até então, mais recente lançamento da Disney, o filme Raya. Posso sumarizar as minhas imensas críticas a esse filme em apenas uma, não é um musical. Eu daria muito para ver Raya cantando sobre a esperança de salvar seu pai enquanto “dirige” seu tatu bola pelas áridas areias do deserto, mas não foi isso o que tivemos.


Encanto, por outro lado, foi confirmado como musical, então antes mesmo de eu saber do que se tratava, esse filme já estava acima de Raya no meu ranking de favoritos da Disney. Mas se existe alguma coisa que eu goste mais do que musicais, são musicais escritos por Lin Manuel Miranda. Para aqueles que não fazem a mínima ideia de quem ele é, permitam-me apresentá-lo.


Lin Manuel Miranda é um compositor, ator, diretor e quase EGOT winner (o Oscar vem em 2022,confia), que escreveu do zero gigantes da Broadway como Hamilton e In the Heights, tendo também participado das composições musicais do filme de grande sucesso da Disney: Moana, e em outras áreas de filmes como Tick Tick Boom, Vivo e Mary Poppins: O Retorno.


Ok, vou pular todos os milhares de elogios e gritos histéricos que eu normalmente incluiria caso não tivesse que manter um bom fluxo na escrita, vou apenas me limitar a dizer que as músicas de Encanto são mais do que incríveis, oq eu já era esperado de um compositor como ele.


Apesar de eu achar que a história do filme tem potencial para uma duração de pelo menos duas horas, a Disney o deixou com somente uma hora e meia, o que já é padrão para filmes infantis. Mas isso de forma alguma estraga a experiência ou o enredo. Na verdade, acredito que os únicos que saíram decepcionados foram aqueles que acharam que Encanto seria algo mais do que um filme para crianças, e mesmo sendo um filme para crianças expetacular, não podemos esperar que ele seja muito mais do que isso.


Vi alguns críticos dizendo que o plot de Moana foi reciclado nesse filme, mas eu realmente não o vejo dessa forma. Tanto o problema quanto a resolução e a mensagem final de Moana são diferentes dos de Encanto. Vejo apenas semelhanças e não um roteiro reciclado.


Não posso deixar de falar dos personagens, me identifiquei muito com alguns deles e achei que, de forma geral, os personagens da Disney estão cada vez mais humanos, isto é, estão mostrando seus defeitos corriqueiros, aqueles que são notados mas não explorados durante o filme. Um exemplo disso em Encanto é a inveja que Mirabel sente de Isabela, isso não é explorado, mas é facilmente notado.


{SPOILER DAQUI PRA FRENTE}


Eu amei o tema principal do filme. Eu o resumiria como “não existe apenas um jeito de fazer sua família orgulhosa de você.” Mirabel achava que para deixar sua família orgulhosa ela precisava ter um dom igual a todos os outros, mas no final percebeu que todos eles brilhavam, não por terem dons, mas por servirem sua comunidade. O mais importante para a família Madrigal era justamente isso, servir a comunidade, os dons eram apenas um meio, como muitos outros meios também existem, de fazer o mesmo, e era assim que Mirabel fazia sua família ter orgulho dela.


Mas esse aprendizado não foi apenas para a menina. A Abuela aprendeu a não cobrar a mesma coisa de todas as suas proles, cada um devia ser tratado de uma forma, e Maribel, a mais diferente de todas, não devia ser excluída ou menosprezada de forma alguma. Como amavam a menina independente disso, eles achavam que não faziam essa distinção, mas ficou claro depois de um tempo que todos eram um pouco ressentidos com ela, mas por muito tempo apenas a menina notou isso, já que sentia na pele todos os dias.


E aí entra, na minha opinião, a segunda melhor lição, “o ambiente familiar deve ser recheado de conversas sinceras.” Felizmente, a maioria das famílias são unidas por amor sincero uns com os outros, ou pelo menos deveriam ser, e esse era o caso dos Madrigal. Uma conversa sincera foi o que bastou para consertar as rachaduras da relação entre eles. O ambiente familiar é, muitas das vezes, seguro e deve ser aberto para conversas sobre os mais variados e difíceis assuntos.


{FIM DOS SPOILERS}


Ainda acho, porém, que eles deveriam ser uma família brasileira ao invés de colombiana. O filme se passa no meio da floresta amazônica, nada mais justo que o país com mais território da floresta servisse de lar para Encanto. Apesar disso, entendo a decisão deles. É acertada no ponto de marketing, pois mais pessoas nos Estados Unidos falam espanhol do que português, mas confesso que fiquei um pouco chateada.


Estou ansiosamente aguardando a Disney se manifestar sobre o lançamento de algum curta baseado em Encanto em um futuro próximo. Sei que eles adoram capitalizar em cima de produções já lançadas e eu mal vejo a hora de saber mais sobre a terra de Encanto. E ainda tenho esperança de que um dia veremos uma protagonista brasileira em um filme da Disney!

 
 
 

Recent Posts

See All

Comments


Post: Blog2_Post
bottom of page