Nossa Suficiência em Cristo; minhas impressões da leitura
- Mariana Ayres
- Dec 26, 2021
- 3 min read
Apesar do subtítulo, (a saber “Três influências letais que minam a sua vida esperitual”), pouco se fala sobre essas três coisas diretamente. Apenas em dois capítulos lemos sobre como identificar e combater a psicoterapia, misticismo e pragmatismo, que são más influências impregnadas nas igrejas atuais.
Mas durante toda a leitura vemos mais de uma vez como usar aquilo que o Senhor nos deixou para nos amparar a todo momento. Coisas como a graça de Deus, as escrituras, a santificação promovida pelo Espírito Santo e a certeza da nossa salvação pela obra redentora de Cristo, podem ser extremamente eficazes se confiamos na suficiência de cada uma delas.
A psicoterapia com psicólogos modernos é possivelmente mais prejudicial à nossa alma do que benéfica e facilmente substituída por aconselhamento e discipulado por cristãos experientes e confiáveis. De forma semelhante, o misticismo se prova desnecessário quando entendemos que tudo o que precisamos está contido nas escrituras. O pragmatismo, por sua vez, tira a vontade suprema de Deus da equação de forma que muitos enxergam o Senhor como seu servo pessoal.
Em alguns capítulos o autor usa de histórias, como longas analogias, para explicar o problema de forma didática. Três delas me chamaram atenção, seja por terem me ajudado a enxergar um problema na minha própria vida espiritual que antes eu não havia notado ou por serem boas analogias que certamente serão úteis em algum ponto.
A primeira delas é a história de um homem que visitava uma família em outro estado. A família que o hospedava teve um contratempo e precisou ir para uma cidade próxima resolver um problema. Eles saíram juntos de casa, mas como não tinha nada de muito importante para fazer lá, o visitante voltou sozinho de táxi. Quando chegou na casa, se deu conta de que não havia como abrir a porta, então já que não tinha telefone para ligar, ficou esperando na entrada até a família chegar. Era um dia de muito frio e neve, a espera foi angustiante, e ao chegar, o pai da família olhou confuso para o visitante parado e tremendo de frio, perguntou a ele: “Você não se lembrou da chave que eu lhe dei antes de sairmos?” E ao colocar a mão no bolso de sua jaqueta, lá estava a chave.
Isso nos diz muito sobre o jeito que agimos diante alguma dificuldade ou tentação. Procuramos e esperamos que uma mensagem, sinal ou ajuda caia do céu, quando já temos a melhor e mais eficaz solução de todas em Cristo.
A segunda analogia foi feita usando uma história verídica, e um tanto curiosa, de dois irmãos que ficaram com toda a herança de sua falecida e rica mãe. Mas ao invés de usufruir e mostrar a riqueza, eles se trancaram na casa e empilharam montanhas de lixo, sujeira e sucata em cima de qualquer objeto minimamente precioso e útil.
Essa história revela como muitos cristãos tratam sua salvação, a escondendo de baixo de tanto lixo mundano, não dando testemunho da nossa fé e negligenciando a importância do "herança incorruptível, sem mácula, imarcescível" (1 Pe 1:4)
Por fim, a simples e prática analogia de um engenheiro estudado e certificado que constrói um prédio. Ninguém irá substituí-lo por um zé ninguém que não sabe ao menos matemática básica, isso é algo com que todos poderiam facilmente concordar. Mas infelizmente, cada vez menos igrejas aplicam isso na hora de escolher um líder, colocam como pastores homens que muitas vezes nem leram toda a bíblia, pessoas que sobem em frente a igreja e pregam com base em profecias furadas e filosofia barata.
Quanto a escrita do autor, achei que MacArthur tem um jeito incisivo de falar sobre o problema, acredito que isso se deva ao cansaço e frustração que ele tem de ver pessoas caindo nas armadilhas que ele descreve neste livro, mas apesar disso, todas as páginas estão repletas de caridade e humildade.
De crítica tenho apenas a organização dos capítulos e a divisão deles. A ordem não é sequencial, capítulos relacionados foram colocados longe um do outro e o título de cada um não diz nada sobre o assunto que será explorado. Não sei se isso foi proposital, mas certamente me incomodou um pouco durante a leitura.
"Nossa Suficiência em Cristo" ressalta, com inegável base nas escrituras, que por Sua graça Ele generosamente nos deu todas as ferramentas necessárias para termos uma vida terrena alegre e uma vida espiritual próspera. Fui muito edificada com essa leitura, apesar de ter demorado uns bons meses para terminá-la, e recomendo para todos os cristãos que desejam enxergar a suficiência de Deus nas nossas vidas.
"Isto para que, com todos os santos, vocês possam compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que vocês fiquem cheios de toda a plenitude de Deus."
(Efésios 3:18-19)
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