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Explicando o nome do blog

  • Writer: Mariana Ayres
    Mariana Ayres
  • Dec 24, 2021
  • 4 min read
“ — Como seria bom que todos os castelos que fazemos fossem verdadeiros e pudéssemos viver neles! — disse Jo, após pequena pausa.”

O nome desse blog surgiu da mente de uma das autoras mais brilhantes, na minha opinião, Louise May Alcott. Ela deu vida ao meu livro favorito, planejou e escreveu cuidadosamente a brilhante história descrita em Little Women. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de reler essa magnífica obra, mas mesmo tendo a lido apenas uma vez, sua marca permanece em mim até hoje. As emocionantes cenas de companheirismo, coragem e aprendizado não deixaram minha mente um minuto sequer durante todos os meses subsequentes a minha primeira leitura desse clássico. Uma das partes mais vívidas na minha mente é a conversa que as quatro irmãs têm com seu vizinho em uma tarde qualquer, justamente a que fala sobre os castelos no ar.


Para contextualizar, os cinco estão sentados, conversando, e pensando sem muito compromisso em seus futuros. Beth e Jo são claramente as que mais levam a sério essa conversa, já que Jo era a mais sonhadora do grupo e Beth a mais filosófica. Apesar de Meg e Amy também se importarem tanto com seus frutos quanto com a conversa que eles estavam tendo no momento, a mais velha não deu tanto profundidade quanto as outras e Amy era muito nova para ter pensamentos muito concretos sobre isso. Enquanto Lauren, o vizinho, falou seus verdadeiros sentimentos o tempo todo, mesmo que ele não acreditasse na validade deles.


De qualquer forma, Jo é a que introduz o conceito de castelos no ar. Quando disse isso ela se referia a seus sonhos que eram como castelos no ar porque eram esplêndidos ao seu ver mas eram também inalcançáveis. Um após o outro, todos os cinco revelaram seus maiores e mais ambiciosos sonhos, seus magníficos castelos nos alpes do ar. Apenas Beth tinha um sonho modesto, “— Pois o meu é ficar em casa, tranquila, com papai e mamãe, ajudando-os a cuidar da família.” Mas ironicamente {GRANDE SPOILER} até mesmo o seu simples castelo era inalcançável, e assim como os outros, ela nunca chegou a adentrá-lo pois foi chamada, cedo demais, pelo Senhor para adentrar o paraíso ao invés disso.


Mas o nome do meu blog não segue esse mesmo conceito. Por incrível que pareça, demorei uns bons meses para entender a analogia feita neste capítulo, e nem mesmo sei se o que expliquei acima era exatamente o que Loiuse pensou ao escrever essa cena já que ela nunca explicou isso em lugar nenhum, nem mesmo durante o livro. Procurei na internet por outros autores que haviam feito a mesma analogia, e até mesmo fui atrás de saber se essa não era uma coisa comum de se falar na época, como uma gíria, expressão ou jargão. Mas infelizmente nada encontrei, o que me deixou mais livre para interpretar da forma que eu desejei.


Enquanto fazia minha busca pelo sentido da frase, relendo e analisando a conversa dos personagens diversas vezes, me deparei usando-a em um sentido completamente diferente no meu próprio contexto. Não a utilizei como analogia para sonhos inalcançáveis como Jo, mas sim como analogia para ideias, pensamentos e devaneios que são tão suntuosos quanto castelos mas ao mesmo tempo imateriais e invisíveis. Os dois conceitos são até parecidos, mas definitivamente não são a mesma coisa.


Quando falo sobre “pensamentos suntuosos” definitivamente não me refiro aos meus próprios e nem mesmo aos de todas as pessoas do mundo. Mas sim a aqueles que fazem a diferença de alguma forma, seja na forma de ideias revolucionárias, devaneios que te levam a reflexão ou convicções centrados na palavra de Deus. Na realidade, qualquer pensamento ou opinião que tenha beleza, virtude e valor. Beleza, na forma de um texto bem escrito; virtude, carregando alguma característica da personalidade do Senhor; e valor, que vá somar de alguma forma na vida de alguém, mesmo que apenas na minha própria.


E apesar de pensamentos ou opiniões cheios de beleza, virtudes e valor serem suntuosos e magníficos como castelos, eles ainda são invisíveis, e por isso estão no ar. As consequências, ou frutos, de tais pensamentos podem até se substanciar de alguma forma, mas eles em si sempre ficarão no mundo imaterial.


Tendo pensado nesse conceito meses atrás, achei que daria um ótimo título de livro, e então, quando chegou a hora de escolher um nome para o meu blog, lembrei disso quase que imediatamente. Achei de bom grado explicar o nome, Castelos no Ar, em um dos meus primeiros posts, já que nem todos leram Little Women e ainda menos pessoas matutaram esse mesmo trecho por tanto tempo assim como eu.


Um pouco fora de tópico mas ainda relevante, é impressionante o quanto aprendemos lendo bons livros, seja em estilo de escrita, desenvolvimento de personagem, resolução de problemas, morais passadas ou até mesmo inspirações que temos enquanto desvendamos as histórias descritas pelos excelentes autores. Querendo ou não, eles nos guiam para construir castelos no ar, sejam eles sonhos ou ideais nobres.

 
 
 

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