Recorte da Desilusão - Poemas
- Mariana Ayres
- Aug 19, 2022
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A vida começa tranquila e serena,
Como observar a brisa no mar passar,
Em uma calma praia de Ravena
Uma promessa porém é logo feita,
Pois todos um dia precisam de dinheiro pra feira,
“É fácil ir ao mar para peixe apanhar”
Mas quando o peixe fisga,
Tudo se complica,
Afinal, não é assim tão fácil,
Colocar o peixe pra dentro do barco
E mesmo quando consegue, cinco tubarões logo o segue.
“O que sobrará do peixe, moço?
Aquele que te custou tanto esforço?”
Lutar fica impossível,
O mar o pegou desprevenido,
Escondendo em seu fronte bonito,
A vida selvagem do animal sofrido
A primeira bocada,
O fim da picada,
A esperança se esvai,
E a noite ela trás
Mas ainda pode piorar,
Até quando isso irá durar?
Um, dois, três, quatro, cinco,
Todos pegando um pedaço,
Do peixe colado ao lado do barco
E ao chegar, a praia populosa agora está vazia,
“Para onde foram todos aqueles que aplaudiram minha partida?”
Não há mais ninguém para ver os ossos pendentes,
Daquele que um dia fora um peixe sorridente
E assim a vida termina,
Dolorida, suada e sofrida,
Carcaça de peixe, carcaça de gente,
e a inocência saindo pela tangente
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